Baby Blues ou Depressão Pós-Parto? Saiba a diferença

A gestação envolve intensas transformações físicas e emocionais, mas é no pós-parto que muitos desafios se revelam. Poucas mães conhecem o baby blues, termo em inglês que pode ser traduzido como “tristeza puerperal”, frequentemente confundido com depressão pós-parto. Identificá-lo é essencial para que a mãe cuide de si e construa uma relação saudável com o bebê.

Maria Carolina Pavin, psicóloga (CRP 08/32300) do Hospital Maternidade Alto Maracanã (HMAM), explica que o baby blues “é uma condição transitória que acomete muitas mulheres”. Um estudo realizado com 70 mulheres do Sul do Brasil identificou que 67,2% delas apresentaram tristeza imediata no pós-parto. Identificar esse estado emocional é fundamental para impedir que ele evolua para quadros mais graves.


O que é o baby blues?

O baby blues, também conhecido como disforia puerperal, é um estado emocional temporário que surge no pós-parto. Os primeiros sintomas costumam aparecer a partir do 3º dia após o nascimento do bebê e, geralmente, desaparecem em até duas semanas.
O nome tem origem no termo inglês blue, que, além de se referir à cor azul, também é usado para expressar sentimentos de tristeza e melancolia.
Uma das principais causas do baby blues são as alterações hormonais decorrentes do fim da gestação. Somam-se a isso o esforço físico e mental do parto, as mudanças na rotina e fatores sociais enfrentados pela mãe, que podem desencadear ou intensificar essa condição.


Quais são os sintomas do baby blues?

Segundo Maria, os principais sintomas do baby blues incluem:
1. Irritabilidade;
2. Sensação de sobrecarga;
3. Choro fácil e frequente;
4. Ansiedade;
5. Insônia;
6. Falta de concentração;
7. Insegurança;
8. Sensação de vazio.


A intensidade desses sintomas, no entanto, costuma ser leve, já que o baby blues é uma condição passageira, comum e não patológica.


Como lidar com o baby blues?

Na maioria das vezes, o baby blues passa naturalmente, sem necessidade de intervenções específicas. Ainda assim, a psicóloga ressalta que contar com uma rede de apoio formada por familiares e amigos é essencial: “Sentir-se acolhida e apoiada é fundamental, assim como o cuidado de profissionais que acompanham a mãe e o bebê”.


Qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

É comum que muitas mães confundam o estado emocional causado pelo baby blues com a depressão pós-parto, também conhecida como depressão perinatal. A principal diferença entre os dois quadros está na intensidade e na duração: a depressão pós-parto pode surgir nas semanas após o parto ou mesmo durante a gestação, com duração de meses ou até anos.
Além disso, a depressão pós-parto é uma condição menos frequente que o baby blues. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), ela afeta cerca de 25% das mães brasileiras.
Alguns dos sintomas característicos da depressão pós-parto são quadros agravados de sintomas do baby blues, como ansiedade intensa e tristeza profunda. A psicóloga também ressalta que um diferencial importante da depressão pós-parto são seus sintomas comportamentais, como a dificuldade de estabelecer um vínculo com o bebê.
Com relação ao tratamento, é essencial que o acompanhamento psicológico seja integrado, supervisionado por um psiquiatra e um psicoterapeuta, com sessões regulares e semanais.
A rede de apoio também é fundamental na depressão pós-parto. Nesse sentido, a psicóloga ressalta a importância da mulher compartilhar suas experiências com mães que passaram pela mesma situação: “O que funcionou para uma pode ajudar a outra. Isso reforça que a mulher não está sozinha.”


Por que o diagnóstico é importante?

A depressão pós-parto “pode decorrer de um baby blues não identificado”, como destaca a psicóloga.
Por isso, é fundamental identificar seus sintomas com antecedência, para solucionar fatores causadores e evitar que o quadro se agrave.
“O corpo nos dá sinais constantemente. Precisamos estar atentos”, completa Maria.

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